O fato de uma empresa ser pequena não impede a análise ou a revisão de seus contratos bancários. Microempresas e empresas de pequeno porte também podem verificar se a dívida está sendo cobrada corretamente, se os encargos correspondem ao que foi contratado e se existem medidas jurídicas ou negociais adequadas para reorganizar o passivo.
O Pronampe foi criado justamente para facilitar o acesso ao crédito por micro e pequenas empresas. Nessas operações, a instituição financeira pode contar com a garantia do Fundo Garantidor de Operações, o FGO, mecanismo que reduz parte do risco assumido pelo banco na concessão do empréstimo. O programa atende microempresas e empresas de pequeno porte dentro dos limites de faturamento definidos pela legislação.
Essa garantia, entretanto, protege a instituição financeira, e não significa que a dívida da empresa esteja perdoada ou limitada à parte não coberta pelo fundo. Caso ocorra inadimplência, o banco pode cobrar a obrigação em nome próprio, inclusive por meio de ação judicial, e buscar a recuperação do saldo devido pela empresa e pelos eventuais garantidores do contrato. A legislação do Pronampe determina que a instituição financeira continue responsável pela cobrança dos créditos inadimplidos, mesmo quando houver acionamento da garantia do FGO.
Em outras palavras, o fato de o banco possuir uma garantia vinculada ao programa não impede que ele cobre da empresa o valor integral da dívida. A cobertura do fundo não funciona como um seguro contratado em benefício do empresário nem elimina automaticamente sua responsabilidade pelo pagamento.
Por isso, é importante analisar cuidadosamente o contrato. A revisão deve verificar a taxa de juros aplicada, o custo efetivo total, os encargos de inadimplência, a forma de amortização, a evolução do saldo devedor, a existência de tarifas, as garantias exigidas e a correspondência entre os valores cobrados e as regras do programa.
Também é necessário avaliar quem assinou o contrato. Dependendo da operação, os sócios ou terceiros podem ter assumido obrigações como avalistas, fiadores ou devedores solidários. Nessa situação, a inadimplência pode resultar não apenas na cobrança da empresa, mas também em medidas contra o patrimônio dos garantidores.
Revisar não significa afirmar, antecipadamente, que todo contrato do Pronampe possui irregularidades ou que a dívida deixará de existir. A análise serve para compreender como o débito foi formado, identificar eventuais cobranças indevidas e definir a estratégia mais adequada para o caso concreto.
Essa estratégia pode envolver a contestação de encargos, a defesa em uma execução, a discussão das garantias, a apresentação de cálculos, a renegociação da dívida ou a adoção de medidas para reduzir os riscos de bloqueios e outras restrições patrimoniais.
O tamanho da empresa não diminui a importância dessa análise. Para uma pequena empresa, uma cobrança bancária pode comprometer o fluxo de caixa, a folha de pagamento, os fornecedores e a própria continuidade da atividade.
Por isso, antes de aceitar qualquer proposta, reconhecer um novo saldo ou assinar uma renegociação, é fundamental entender o contrato e as consequências da operação. Mesmo sendo pequena, a empresa pode revisar a dívida e buscar uma estratégia compatível com sua realidade financeira e jurídica.
